Descatracalização da vida

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São comuns hoje em dia, os movimentos pela inclusão social; uma prática anticorrupção do indivíduo, pela preservação do bem estar social. Congressos, workshops, passeatas, fóruns, muito dinheiro é gasto para discutir a integração social, cultural, política e financeira dos indivíduos. Entretanto, muitos são os que não querem fazer barulho ou despender muito dinheiro, afinal se o intuito é incluir, não se pode gastar desmedidamente o dinheiro que poderia iniciar tal inclusão. Grupos anônimos em um primeiro instante, preferem atuar silenciosamente, talvez porque já tenham percebido que muito barulho impressiona, mas não perdura. Assim, ocorreu o movimento pela descatracalização da vida. Mas, o que seria de fato este movimento? O que seria, descatracalizar a vida?!
Desde o processo de capitalização dos mercados, o mundo assiste cada vez mais impassível ao aumento das desigualdades entre nações e indivíduos; acompanha a concorrência atravessar a porta das indústrias e ganhar as da rua fazendo os homens cada vez mais quererem estar no topo da escada nessa louca escalada do sucesso: amoroso, pessoal, profissional. E, isso tem sido o grande braço de alavanca do processo de catracalização da vida em sociedade.
A busca pelo poder tem minimizado o acesso a diferentes setores que tornam, ou ao menos deveriam, mais digna a existência de um ser humano. Esfacelou-se tanto o senso de dignidade, o acesso até mesmo a direitos básicos que o homem já não consegue mais, nem mesmo, descatracalizar a própria mente; constantemente impedido de procurar saídas, buscar alternativas em janelas quando as portas se fecham ou a vaquinha é lançada ao precipício. Cegado pela ditadura midiática global que o orienta até mesmo no modo de se rebelar contra as injustiças, corrupções, insanidades.
O movimento pela descatracalização da vida, não vem requerer apenas a transposição das barreiras visíveis, mas antes, e principalmente, as invisíveis, que vêm conduzindo a humanidade por esta fila que só leva aos caminhos trilhados pela massa.
A mente é o bem maior do ser humano e é ela quem deve ser descatracalizada pelo próprio homem, de forma que ele se sinta capaz de, apto a, pronto para e não fique apenas no pensamento como o conhecido de todos, Fabiano (Vidas Secas), o qual às vezes pensa que é gente e que pode se rebelar contra as injustiças do mundo, dos outros homens, mas que desencorajado, acaba por aceitar ser bicho, e por isso, indigno de sequer pensar, descatracalizar a vida.

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